Cada vez mais o empreendedorismo e o desejo de empreender estão em pauta na nossa economia e na sociedade e, com isso, muitas publicações e metodologias têm aparecido abordando modelos de negócio, planos de negócio, gestão da inovação, prototipagem de produtos, entre tantos outros.

Entretanto, uma série desses roteiros baseia-se num caminho inverso da construção do conhecimento. Em vez de se construir recomendações e ferramentas a partir de observações gerais e consistentes, as orientações para os empreendedores têm sido propostas a partir de casos específicos, muitas vezes em contextos muito específicos, com condições “fora da curva, produzindo “teorias de um caso só”, que constituem modismos bastante tentadores que prometem o sucesso e colocam os empreendedores em risco.

Para desenvolver uma ideia empreendedora, é importante cuidar de quatro passos essenciais. O primeiro é o desenvolvimento da ideia bruta: pensar os problemas dos clientes e as demandas do mercado; e, a partir daí, montar uma ideia no sentido de aproveitar estas oportunidades, explicitando onde se gera valor para o cliente e mapeando as principais possibilidades de geração de receita e os possíveis métodos de precificação e cobrança.

O segundo passo é a construção do modelo de negócio, com o desenvolvimento da lógica de operação do negócio, inclusive com processos, recursos e atividades críticas, mapeando os principais clientes, os canais de relacionamento e distribuição; e identificando parceiros e concorrentes. Ainda nesta etapa é importante compreender como os elementos interagem e que adequações são necessárias de modo a desenvolver um modelo de negócio consistente.

Com o projeto mais desenvolvido, deve-se estimar o potencial de mercado e levantar informações para checar a validade das premissas para o negócio, já avançando para estimativas mais concretas para a lucratividade do negócio e para a projeção do fluxo de caixa. Também é uma iniciativa prudente desenhar cenários financeiros com base em diferentes premissas.

A partir daí, na quarta fase, é o momento de testar e validar o modelo de negócio, incluindo a atratividade da proposta de valor; os canais de venda e de relacionamento com o cliente; os nichos de clientes-alvo; a precificação; e a própria usabilidade e atratividade dos produtos ou serviços. Este momento pode envolver tanto clientes reais quanto situações hipotéticas.

Essa última fase vai interagir com todas as anteriores e não é incomum que ela modifique várias premissas do modelo de negócios. Entretanto, uma recomendação é muito importante: é fundamental resistir à tentação de focar excessivamente no produto e na ideia. É necessário entender o mercado e fortalecer o modelo de negócio antes de “entrar em campo”, para se ganhar tempo e ter mais agilidade e segurança nas iniciativas para tornar o negócio viável.

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