Muitas vezes se fala em planejamento estratégico, estratégia e planos como se fossem sinônimos, o que pode ser um grande risco para a competitividade das organizações. Logicamente que esse risco não se dá pela confusão de conceitos, mas pela adoção de práticas inadequadas de gestão.

O planejamento estratégico clássico surge num ambiente de negócios muito mais estável que o atual, e trata de encontrar uma posição única e definir uma programação detalhada de ações e orçamentos para chegar a uma visão de futuro. O problema é que com a ampliação da competição global, o maior potencial de inovações tecnológicas, as incertezas econômicas e as mudanças sociais aceleradas, o ambiente de negócios configura-se como sistematicamente imprevisível e planejamentos podem se tornar obsoletos em meses ou semanas.

Além disso, a maioria de nós se sente desconfortável ou vulnerável em ambientes instáveis e imprevisíveis, e isso é perfeitamente compreensível. Entretanto, este desconforto não pode nos fazer paralisar, tampouco usar ferramentas que evitem tratar das incertezas e ambiguidades.

Portanto, quando o mercado está sujeito a mudanças e há pouca clareza sobre como elas irão reconfigurar o ambiente de negócios é que fica mais clara a necessidade de desenvolver e remodelar constantemente uma estratégia. Afinal, planos muito detalhados podem nos dar uma falsa sensação de segurança, vinculando o cumprimento do plano ao sucesso ou sobrevivência da organização (“é só cumprir o plano que estaremos bem”).

Deste modo, é imprescindível adotar uma visão mais adaptativa e flexível da estratégia, com atualização sistemática de metas em ciclos de planejamento mais curtos (e até aí não há fórmula pronta: a definição do tamanho do ciclo depende da sensibilidade dos envolvidos quanto às mudanças no ambiente de negócios). Assim, a formulação de estratégia deixa de ser um plano detalhado sobre como se chegará no futuro desejado e torna-se um exercício constante de atenção aos sinais, experimentação e aprendizado.

Por isto, é fundamental ter em mente que um processo de planejamento estratégico de qualidade não irá apenas ajudar a definir estratégias que coloquem a empresa numa posição competitiva, mas também deverá ser capaz de viabilizar a produção de adaptações e ajustes de acordo com o feedback constante do ambiente de negócios.

Portanto, vale um alerta: não se deixe enganar pelas promessas de ferramentas e metodologias que oferecem a falsa segurança de “planejamentos brilhantes” a partir de sessões lúdicas e pontuais, que podem ser verdadeiras “cortinas de fumaça”. A formulação inicial é importante, mas não garante a essência de uma estratégia competente e nem condiz com o estado da arte do planejamento estratégico.

 

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