Um levantamento da Board of Innovation aponta tendências que o isolamento social poderá trazer para o comportamento das pessoas (e por consequência em seu comportamento enquanto clientes) numa economia de menor contato físico (low touch economy), que poderá ser resultado das mudanças de nossos hábitos após a pandemia do coronavírus.

Algumas chamaram mais a minha atenção e gostaria de destacá-las, com a liberdade de avançar um pouco mais para além das reflexões do material original:

Desconfiança com relação à higiene de pessoas e produtos, gerando mudanças em embalagens, pressão por compartilhamento de dados pessoais de saúde e serviços “contact-free”.

“Deliverização” de tudo. O comércio precisará se transformar para atender a uma crescente demanda por otimização e especialização para aumentar as possibilidades e a qualidade das entregas de produtos e serviços em casa.

Otimização dos espaços de trabalho, com redução dos escritórios e ampliação do home office, tanto em quantidade quanto em suas características, com ferramentas de trabalho para além do computador e smartphone, gerando três impactos: (a) encolhimento do mercado de aluguel de imóveis comerciais; (b) pressão por atualização das políticas empresariais para uso de dados, equipamentos e disponibilidade das equipes para o trabalho; (c) modificação do mercado de seguros, com novas demandas e possibilidades.

Alto nível global de desemprego, obrigando as pessoas a repensarem suas carreiras e gerando demandas de capacitação, desenvolvimento de novas habilidades para o reposicionamento profissional e de empreendedorismo por necessidade, tanto como atividade única quanto como atividade dividida com o vínculo empregatício (sidepreneurship).

Outro impacto é que os sistemas de bem-estar social dos governos também terão seus testes mais difíceis, com o aumento das demandas por serviços públicos e por assistência social, já que os empregos normalmente se recuperam num ritmo mais lento que o do crescimento da economia.

Aumento da ansiedade, solidão e depressão, por conta do isolamento, medo e dificuldades financeiras, o que repercutirá em maiores demandas para serviços de terapia e de aconselhamento, por jogos e plataformas que permitam interação social e por animais de estimação.

Crescimento da tensão, conflitos e judicialização. Financeiramente pressionadas, as pessoas poderão acionar mais os advogados para quebrar contratos que não possam ser ajustados amigavelmente. Isso também ampliará o elemento digital nos serviços jurídicos e na atuação do poder judiciário.

Ampliação das restrições e dificuldades em viagens, gerando maior demanda por turismo interno e crescimento da busca por destinos rurais e remotos em viagens de luxo. Todavia, com o crescimento da prática e da confiança no trabalho à distância, uma tendência é o aumento da quantidade de pessoas que poderão fazer viagens em que se possa misturar turismo e teletrabalho.

Atenção: não se trata de uma ruptura total com o passado, mas da aceleração de mudanças já em curso e da intensificação de alguns desafios. Não é que tudo mudará de modo disruptivo e o que existia antes não existirá mais. Teremos novos comportamentos e modelos de negócio, com novas demandas e oportunidades. E certamente quem conseguir se movimentar da forma mais adequada, adaptável e ágil estará na dianteira do mercado.

 Como estas tendências afetarão sua empresa? Que transformações você precisa fazer para “permanecer no jogo” e “ir para o ataque”?

 

Este artigo foi escrito a partir de uma provocação de Tatiane Prianti (https://www.linkedin.com/in/tatiane-prianti-de-souza/)

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