Uma visão de futuro “pra valer” é a construção de imagens genuínas do futuro compartilhado que se deseja criar. Pertence às pessoas que fazem parte de uma organização, desenvolvendo um senso de comunidade que permeia a organização e dá coerência a diversas atividades.

Sua construção é ancorada no uso de métodos e processos para traduzir e transformar uma visão particular numa visão compartilhada, possibilitando a descoberta de imagens de futuro coletivas, capazes de estimular o compromisso genuíno das equipes. A noção partilhada de propósito, visão e valores estabelece o nível mais básico de cooperação e compartilhamento.

Afinal, quando realmente compartilham uma visão, as pessoas se sentem conectadas, ligadas por uma aspiração comum. É ela que fornece o foco e energia para a aprendizagem, elevando a aspiração das pessoas. Quando a visão é, na realidade de uma pessoa ou grupo, induz a aceitação e não o comprometimento.

Quando um planejamento estratégico é construído e o engajamento das pessoas com as metas, ações e programas é baixo, um dos erros pode ter sido o modo como esse foi concebido, afinal, como coloca Peter Senge, numa brilhante síntese (destaque meu):

“O erro não está na incapacidade de persuasão, nem na ausência de indícios suficientemente estimulantes. Talvez seja simplesmente impossível convencer os seres humanos a racionalmente adotarem uma visão a longo prazo. As pessoas não focalizam o longo prazo porque precisam, mas porque querem.”

E como fazer para estimular a visão genuinamente compartilhada?

É necessário abandonar as noções tradicionais de planejamento top-down e entender que as verdadeiras visões coletivas surgem num processo bubble-up, emergindo na organização, em diversas direções, com as ideias-chave moldadas e sintetizadas pelos gestores. Elas surgem de um processo de diálogo permanente, em que os indivíduos se sentem à vontade para expressar suas aspirações e se respeitam mutuamente, ouvindo com interesse real as visões uns dos outros.

Também já falei aqui sobre o estímulo à indagação e o desenvolvimento da visão sistêmica, que também são essenciais para a construção de visões de futuro coerentes e efetivas. Sugiro a leitura destes artigos para começar a tomar providências imediatas sobre o desenvolvimento de visões de futuro.

Para concluir, deixo uma reflexão e uma tabela para avaliar o grau de comprometimento de sua equipe com os objetivos de longo prazo:

“Quando as pessoas param de perguntar ‘o que queremos realmente criar?’ e começam a criar proselitismos sobre a ‘visão oficial’, a qualidade das conversas e dos relacionamentos por elas estimulados se desgasta (…) A visão transforma-se em uma força ativa somente quando as pessoas realmente acreditam que podem influenciar o seu futuro.” (Peter Senge)

 

Como está o compromisso de sua equipe com o projeto de futuro?*
Comprometimento Quer; transformará em realidade; cria para fazer acontecer.
Participação Quer; fará o possível dentro da realidade.
Aceitação Genuína Vê os benefícios da visão; faz o que se espera e mais.
Aceitação Formal Vê os benefícios da visão; faz o que se espera.
Aceitação Hostil Não vê os benefícios da visão; faz o que se espera porque tem que fazer; deixa claro que não está “a bordo”.
Não Aceitação Não vê os benefícios da visão e não faz o que se espera.
Apatia Nem contra, nem a favor; desinteresse e falta de energia.

* tabela baseada em A Quinta Disciplina, Peter Senge (1990).

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