A Convergência Necessária para Empreender em Sociedade

O empreendedorismo é uma atividade muito exigente, pois envolve uma atuação que considera simultaneamente questões internas da empresa, como gestão de equipes e processos de trabalho; e variáveis externas do mercado (boa parte delas fugindo à governabilidade da organização). Empreendedores precisam lidar com uma grande quantidade de atores, num ambiente de volatilidade, incertezas, complexidade e ambiguidade.

Neste sentido, a alternativa da sociedade apresenta-se como uma possibilidade bastante interessante. Afinal, com a soma da dedicação de tempo, financeira e emocional e com diferentes competências, estilos e formações, desde que haja uma convergência mínima necessária, há mais condições de enfrentar estes desafios impostos pelo ato de empreender.

Todavia, fazer parte de uma sociedade implica numa série de exigências para a gestão, que usualmente não fazem parte do “radar” que contempla as primeiras iniciativas dos sócios. Isto porque, em geral, o que inicialmente une os sócios é uma oportunidade de negócio, a missão da empresa e a identidade empresarial. Contudo, outras questões mais subjetivas também podem promover esta união, a exemplo da história pregressa, de afinidades pessoais e de projetos de profissionais ou de futuro convergentes.

Entretanto, por melhor que seja o vínculo entre os sócios, num primeiro momento, é de fundamental importância para uma boa relação de longo prazo, a definição de acordos e a pactuação de objetivos comuns.

Os acordos empresariais e societários podem contemplar, por exemplo, regras para a entrada e saída de sócios, política financeira (de provisões, níveis de custos, modelo de apuração de resultado), divisão de responsabilidades, processo decisório, diretrizes para a gestão, distribuição de responsabilidades e o modelo de remuneração.

Já a pactuação de objetivos comuns pode se dar com a elaboração de um planejamento estratégico, com a definição de metas e indicadores de resultado e com o estabelecimento de rotas de desenvolvimento individual dos sócios.

Todavia, tanto os acordos quanto os objetivos precisam ser monitorados. Por isso, também é necessária a criação de ferramentas e de momentos para seu acompanhamento, com adequada discussão dos avanços e dificuldades, possibilitando eventuais ajustes de rumo.

Estas iniciativas não têm a pretensão de resolver ou antecipar todos os conflitos entre sócios, pois as fontes de conflito são múltiplas e intermináveis. Todavia, tratar estas questões o quanto antes e implantar seu monitoramento de modo sistemático ajuda a criar e manter bases mais sólidas para uma sociedade com potencial de longevidade.

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