Com mercados cada vez mais competitivos, inovar é fator determinante para a sobrevivência das organizações. E essa iniciativa pode ser resultado de um esforço gerencial sistemático, a partir da análise e discussão de cinco temas: modelo de negócio da organização; competências e ativos estratégicos; verdades do setor/segmento; necessidades não expressadas por clientes e não clientes; e estímulo à atenção e discussão sobre mercado e ambiente de negócios.

Sobre o modelo de negócio da organização, é importante questionar e discutir quem são os clientes, os produtos e os serviços oferecidos com seus diferenciais; além do modo de trabalho e como a empresa ganha dinheiro, pensando questões como estratégia de precificação e cobrança.

O segundo está relacionado às competências e ativos estratégicos, que podem ser ativos físicos (como terrenos e máquinas), carteira de clientes, conhecimentos, tecnologias, técnicas, métodos ou marcas. É importante identificá-los e diagnosticar por que são estratégicos e o que pode levar à sua obsolescência. Para aproveitá-los melhor, pode-se avaliar a realização de parcerias e licenciamentos/franquias, por exemplo.

O terceiro ponto é o questionamento de “verdades do setor/segmento”, que podem ser modelos comuns no mercado com relação ao funcionamento da empresa, atendimento ou relacionamento com o cliente e também preconceitos, normas tidas como inegociáveis (“sempre foi assim/tem que ser assim”) e incômodos aceitos pelo cliente, que normalmente geram o discurso de “todo o mercado faz assim” ou “vai aumentar muito o preço se mudar isso”, quando são questionadas.

Esses questionamentos são fontes preciosas de diferenciação e de descoberta de novas formas de atender ou prover uma solução.  E quando é encontrada a solução do problema, logo se ouve: “É tão simples! Por que ninguém pensou isso antes?”.

Um quarto ponto é buscar compreender as necessidades não expressadas pelos clientes atuais e pelos seus “não-clientes”. Isso se traduz em pensar a resolução de frustrações, experiências negativas e ineficiências do mercado, que podem ser buscadas em analogias com outros setores, por exemplo.

Por fim, é muito valioso estimular a atenção e discussão sobre os fatos portadores de futuro, provocando a equipe e os gestores a estarem atualizados sobre o mercado e o ambiente de negócios. Quanto maior a capacidade de captar sinais sutis, de compreender tendências no contexto histórico e de conseguir “ligar os pontos”, capturando a interação entre tendências, maior a capacidade de antecipar mudanças e, portanto, de ter uma estratégia mais competitiva.

Incorporar estes pontos às discussões estratégicas, gerenciais e com equipes de modo sistemático exige muita disciplina e foco, para não se deixar desviar pelas pautas, demandas e urgências do dia a dia. Entretanto, a prática contínua da análise, crítica e acompanhamento destes pontos têm se mostrado um bom caminho para a gestão da inovação.

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