Num contexto de alta velocidade dos avanços e mudanças tecnológicas e de muita complexidade no ambiente empresarial, especialmente nos esforços para preservar a competitividade no futuro, a capacidade para conduzir a transformação digital nos negócios torna-se uma necessidade estratégica.

Essa atividade apresenta muitos desafios e requer uma série de competências para que seja bem conduzida nas empresas. Um estudo recente da Universidade de Oxford as sintetizou em: tradução, integração e disrupção.

A competência de tradução diz respeito à identificação de mudanças tecnológicas e de mercado, adequando, significando e contextualizando estas mudanças para a realidade da empresa e das pessoas. Neste sentido, é necessário o conhecimento especializado em tecnologia, mas também competências generalistas de negócios e gestão de mudanças.

Isso significa sair do jargão tecnológico inacessível para grande parte dos profissionais e empresários e comunicar tendências e necessidades em linguagem acessível, capaz de gerar mobilização e adesão. Entretanto, significa também conseguir transmitir conceitos e demandas de negócios e gestão para as equipes técnicas, de modo a dar maior sentido e potencial de sucesso às demandas para as áreas ou fornecedores de tecnologia.

transformação digital; big data; inteligência artificial

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A competência de integração refere-se à coordenação e liderança de grupos multidisciplinares de várias áreas na organização, com interesses e expectativas quase sempre conflitantes e à capacidade de definição de metas e gestão com foco em resultados. Superar as resistências e conseguir apoio interno são desafios tão grandes quanto a identificação de tendências de mercado e de oportunidades de aplicação tecnológica.

Essa perspectiva engloba também a geração de credibilidade sobre as mudanças, projetos e rumos pretendidos e a influência sobre as pessoas envolvidas. Isso também requer algum nível de conforto ao lidar com a ambiguidade e incerteza dos projetos e do contexto.

A competência de disrupção é a imaginação de futuros diferentes, desafiando o status quo e a criação de visões sobre um futuro possível, gerando adesão das equipes. Isso também abrange a identificação de oportunidades e a geração de valor para as empresas por meio de otimização de processos e de criação de estratégias de crescimento, com uso e potencialização de dados e tecnologias avançadas, como inteligência artificial.

Todavia, quando se fala em disrupção, o conceito de velocidade normalmente vem à mente das pessoas. E disto deriva um alerta: projetos e transformações devem ser conduzidos com agilidade, mas muitas mudanças organizacionais, para serem sustentáveis no longo prazo, precisam respeitar a noção de evolução gradativa.

O conhecimento necessário para sistematizar a transformação digital nas empresas vai além da tecnologia e digitalização. Não existe transformação sem um modelo de gestão que estimule a análise de tendências e cenários, e que permita a experimentação, aprendizado e condução de mudanças ousadas, com mobilização e engajamento de equipes que entendam efetivamente a importância e o impacto do que estão fazendo.

 

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