Teremos um Aumento da Produtividade Pós-Pandemia?

Diante dos impactos da pandemia de Covid-19, as perspectivas para o ressurgimento da produtividade parecem ruins. Apesar disso, no passado já tivemos exemplos de grandes crescimentos na economia que vieram logo após crises devastadoras, e há indícios de que hoje isso possa se repetir.

A produtividade é tida como o “grande elixir mágico” do crescimento econômico. Com ela é possível fazer mais com a mesma quantidade de recursos e com a mesma força de trabalho. O problema é que isso tende a se estabilizar, a menos que novas formas de otimizá-la sejam descobertas.

Aparentemente, a queda no nível do comércio mundial e a dificuldade de adotar as novas tecnologias vêm sendo os maiores causadores da queda de produtividade dos países emergentes. Além disso, um problema mundial é o envelhecimento populacional, com a consequente redução na força de trabalho. Mas a questão que fica é: por que as novas tecnologias como robótica avançada, computação em nuvem e inteligência artificial não estão ajudando a alavancar a produtividade global?

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Photo by Sai Kiran Anagani on Unsplash

Existem três hipóteses para isso: a primeira, mais pessimista, diz que simplesmente as novas tecnologias não são tão revolucionárias quanto alguns dizem. No entanto, isso não parece justificar todo o marasmo. Apesar de a Inteligência Artificial (IA) não ter transformado tanto a economia mundial quanto se esperava, ela é bastante significativa. O GPT-3, por exemplo, que é um modelo de predição de linguagem desenvolvido pela OpenAI, demonstrou uma capacidade notável para manter conversas, produzir textos longos e escrever códigos de uma maneira surpreendentemente humana. Além disso, a internet também manteve um papel importantíssimo para a economia, principalmente na crise do COVID-19. (basta pensar no que teria acontecido se não fossem as videoconferências e computação em nuvem).

Segunda explicação: o problema é a baixa demanda. Isso se dá, segundo Larry Summers, da Universidade de Harvard, pelo baixo investimento dos governos num momento em que a inciativa privada também investe pouco e as taxas de juros e de inflação andam em baixa. Apesar disso, com a queda no desemprego e aumento do salário médio, notou-se um aumento na produtividade dos EUA, de um crescimento de 0,3% em 2016 para 1,7% em 2019, o maior desde 2010.

a terceira explicação é de grande otimismo: leva tempo para aprender como manejar da forma correta as novas tecnologias. Erik Brynjolfsson e Daniel Rock, do MIT, e Chad Syverson, da Universidade de Chicago, argumentam que temos um padrão de “Curva J”. Isso basicamente significa que quando surgem novas tecnologias, existe um período de investimento e adaptação às tecnologias que causam uma queda na produtividade que ainda não foi perfeitamente explicada. Ou seja, a terceira explicação aponta que podemos estar vivendo agora num momento de aprendizado e de investimento em processos, que são intangíveis e que quando completados, trarão grandes ganhos na produtividade.

Nesse sentido, apesar dos graves problemas causados pela pandemia na economia, a digitalização e a automação foram apressadas, além da necessidade de aprender como manejá-las, aumentando o otimismo para uma real formação da curva J. Isso pode ser visto por uma pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial este ano que descobriu que mais de 80% dos empregadores pretendem acelerar os planos para digitalizar seus processos e fornecer mais oportunidades de trabalho remoto, enquanto 50% planejam acelerar a automação de tarefas de produção.

Já existem pesquisas afirmando que essas mudanças (digitalização e automação) estão vindo para ficar. Mas é difícil avaliar se isso de fato vai ampliar a produtividade. Para isso se efetivar, é preciso mais investimento do setor privado em novas tecnologias e em know-how, além de planos eficientes dos governos focando na retomada. Apesar da dificuldade, as matérias primas necessárias para um novo boom de produtividade estão postas como não vinham sendo há 20 anos. A escuridão deste ano pode ser apenas uma parte do túnel que tem a luz no seu final.

Este artigo é uma síntese baseada no artigo Reasons to be cheerful: The pandemic could give way to an era of rapid productivity growth, publicada na Revista The Economist de 10.12.2020.

 

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