A Velocidade Ideal para Tomar Decisões

A agilidade certamente é uma das competências fundamentais para preservar a vantagem competitiva no ambiente de negócios. Entretanto, agilidade sem consistência é pressa. E ao tomar decisões, a pressa pode levar a inconsistências, que podem ser um problema muito mais grave que a falta de agilidade.

E como fazer para dosar essa velocidade?

Certamente não há uma fórmula mágica, mas existe uma avaliação prévia que pode fazer uma grande diferença na gestão da sua empresa ou área: o tipo de decisão a ser tomada. E elas podem ser classificadas em dois tipos.

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O primeiro tipo de decisão é o que envolve aquelas de via única, que definem destinos, normalmente irreversíveis. Essas devem ser tomadas com muito cuidado e deliberação. Nesse contexto, você deve buscar a verdade, com espaço para contestação franca e sem privilegiar a melhor retórica. Imagine a mudança possível e o futuro e não apenas as consequências de curto prazo.

Ao tomar decisões deste tipo você precisa combater o “pensamento de manada” (groupthink), alertando-se para não buscar ou esperar um consenso. Questões muito sensíveis devem ter um exercício grande de avaliação de cenários e do contraditório. Como o resultado pode divergir das posições de boa parte dos participantes e impactados por esta decisão, não busque a concordância total, mas o processo de discordar e mesmo assim comprometer-se com a decisão final.

Ao mesmo tempo, como não é possível antecipar tudo e como há aprendizados ao longo da implantação, minimize arrependimentos que consomem energia das equipes. Busque ajustes em curso, se possível. Aprenda com as decisões erradas. Entenda que fatores deveriam ter sido considerados, que hipóteses foram feitas e porque não se atingiram os resultados esperados.

O segundo tipo de decisão é o que envolve aquelas reversíveis. A primeira recomendação aqui é não usar um processo único, com início e fim muito bem estabelecidos. Decisões reversíveis sem implicações de longo prazo demandam menos deliberação. Por isso, não espere ter todas as informações. Como provocação, se você tem menos de 70% dela, busque mais. Mas não espere ter mais de 90%. E busque um processo de aprovação paralela em vez de sequencial. Descentralize a decisão para times autônomos e multicompetentes que trabalham simultaneamente.

Essas decisões também podem servir de exercício para o desenvolvimento da autonomia das equipes. Por isso, não tome todas as decisões sozinho. Outras pessoas ou pequenos grupos podem decidir melhor. Deixe o dono da métrica tomar a decisão e induza o exercício da autonomia com responsabilização. Por fim, se essa decisão é repetitiva, automatize-as. Decisões operacionais baseadas em números podem se utilizar de regras numéricas automatizadas.

Avalie como estão sendo tomadas as decisões na sua área ou empresa de acordo com o tipo de decisão. As decisões do primeiro tipo estão sendo debatidas de forma abrangente e têm o tempo suficiente para coleta e análise de informações? As decisões do segundo tipo são ágeis, descentralizadas e ajustadas em tempo hábil?

 

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