O dia a dia de todos os gestores

O dia a dia de qualquer gestor em qualquer nível hierárquico segue um ritmo frenético e implacável. O seu trabalho é fragmentado e descontínuo, com muitas interrupções. Com isso, suas atividades são extremamente diversas e acabam precisando ser executadas num tempo breve.

Ao contrário do que se prega como ideal, que o gestor deve “planejar, organizar, dirigir e controlar”, o gestor é orientado à ação. O próprio ciclo PDCA (planejar, fazer, checar, agir) tão conhecido e propagado, muitas vezes fica no campo do ideal. A máxima gerencial deveria ser o ciclo OODA, inventado por John Boyd (1927-1997), piloto de caça dos EUA na Guerra da Coréia e consultor militar do Pentágono: “observar, orientar, decidir e agir”.

Esse modelo é o ciclo de ação para situações caóticas, que é o ambiente em que operam pilotos de caça e gestores em ambientes competitivos. Esse é o modelo que lida com a velocidade e as transformações constantes em que se vive, das startups às empresas centenárias.

Com isso, é natural a preferência por modos informais e orais de comunicação. Relatórios são utilizados, mas, na prática, sua frequência é muito menor do que a comunicação informal. Gestores também usam intensivamente informações não numéricas, como percepções e especulações.

Não estou fazendo uma defesa de que não se usem indicadores e relatórios (sobre os quais já falei e defendi bastante por aqui!). O que reforço é que, não devemos desconsiderar essas possibilidades e preferências sob pena de defender papéis gerenciais desconectados das reais possibilidades dos gestores.

Por fim, destaca-se a natureza lateral do trabalho para além da hierárquica. Um gestor interage constantemente com pares, colegas, chefes, fornecedores externos, assessores internos e externos. O trabalho gerencial vai bastante além de gerenciar a sua equipe.

Por conta de toda esta complexidade, a forma como um gestor pensa e equilibra o seu estilo de atuação são fatores decisivos para o seu sucesso neste lugar de liderança.

pensamento gerencial

Photo by Riccardo Annandale on Unsplash

O modelo de ação gerencial

Por conta desses desafios, a complexidade de ocupar uma função gerencial exige um foco triplo no que diz respeito ao estilo de atuação:

  1. Gestores precisam de ciência, com análises e tomada de decisões baseadas em fatos e números. Devem ser focados em números e análises, mas com cuidado para não se tornarem detalhistas e distantes.
  2. Gestores precisam de habilidade baseada na prática e na experiência, ao lidar com situações complexas, pessoas e conflitos. Devem ser focados na realização com o cuidado de não se tornarem burocráticos e procedimentais.
  3. Gestores precisam de arte, gerando visões de futuro e ideias. Gestão deve ser uma atividade também criativa e não “administrativa”, focada em procedimentos e relatórios (como muito se diz). A perspicácia na construção de saídas e soluções é essencial aos gestores, com cuidado para não agirem ou se sentirem estrelas e superiores às suas equipes.

Considerando este foco triplo, o gestor enquanto pensador tem duas funções: a de estruturação e programação.

A estruturação está mais ligada aos focos da ciência e arte, contemplando a conceituação das situações e definição de problemas e preocupações e a organização de decisões. É o lugar de construir interpretações de mundo e do mercado, de estruturar modelos para compreensão compartilhada das situações e de organização de processos decisórios. Daqui nascem as visões de futuro e a inovação.

A programação está mais ligada aos focos de ciência e habilidade. Ela envolve a priorização de metas e atividades, a definição das tarefas e entregas a serem executadas e a organização de prazos e da agenda de trabalho. É o lugar de organização e coordenação da equipe para fazer acontecer o que ficou definido no pensamento de estruturação. É o modo de pensar que liga o planejamento à prática. Aqui constroem-se pontes para a execução e concretização das ideias.

Como anda o seu pensamento enquanto gestor ou gestora? Como está o seu equilíbrio entre ciência, habilidade e arte? E sua atuação na estruturação e programação? Você tem dado estrutura de pensamento suficiente à sua equipe? Tem sido um facilitador ou facilitadora para a programação do trabalho?

 

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