Lidando com o Coronavirus na sua Empresa

A sociedade e, por extensão, o mercado vivem um momento de apreensão e crise com a pandemia do coronavírus. Considerando as recomendações sanitárias propostas pelas autoridades, que não podem ser ignoradas sob risco de termos impactos ainda mais graves, empresas e trabalhadores precisam se preparar para um “apagão” forçado no curto prazo, com propósito de termos um cenário de médio prazo muito menos desfavorável.

 

Pensando na dinâmica das empresas, quatro grandes cuidados devem ser tomados:

  1. Cuidar das pessoas;
  2. Intensificar o controle financeiro e do desempenho operacional;
  3. Promover mudanças no modelo de gestão para responder às limitações desta nova dinâmica de mercado.
  4. Promover mudanças no modelo de negócio, encontrando formas alternativas de vendas, relacionamento, atendimento, entrega e pagamento, mesmo que provisoriamente.

 

Cuidar das pessoas essencialmente quer dizer sobre dar espaço e atenção para o compartilhamento de preocupações e angústias, fazendo um exercício extremo de empatia (em vez de o empregado pensar como empresário, é hora do empresário pensar como empregado). Também quer dizer a informar claramente e com frequência sobre a situação da empresa e discutindo o máximo possível as alternativas de modo compartilhado. Lembrando sempre de que: quem não tem informação, inventa. E a tendência neste tipo de cenário é que a situação imaginada por quem não tem informação seja pior do que a realidade.

 

O controle financeiro e operacional vai requerer a elaboração de cenários de fluxo de caixa considerando cenários pessimistas de quedas no faturamento, dando maior visibilidade de precauções e negociações que deverão ser feitas. Também deve ocorrer o acompanhamento semanal de vendas e produção (em alguns setores isto deve ocorrer diariamente), sempre que possível comparando com o mês anterior e com o mesmo período do ano anterior. Além disso, deve haver um acompanhamento semanal da situação das contas a receber e inadimplência.

 

A impossibilidade de contato físico, que já está acontecendo em muitas cidades e negócios deve levar a um aumento do teletrabalho onde seja possível. A questão é que muitos gestores não têm a prática de gerenciar times à distância e muitas pessoas não têm a prática ou as condições para faze home office de modo produtivo. Neste sentido, a pactuação de entregas diárias, com definição de “pronto” muito clara e a sistematização e de reuniões de início e fechamento do dia podem ser práticas muito efetivas para contornar essas adversidades.

 

Por fim, as mudanças de modelo de negócio podem envolver adaptações dos serviços para versões mais básicas feitas à distância, uso intensivo de delivery e entrega, implantação de autoatendimento e autosserviço e uso de estímulos à antecipação de compras como estratégia de proteção do fluxo de caixa.

 

Infelizmente não há “bala de prata” e os próximos meses serão desafiadores. A questão é não perder o rumo, não se desesperar nem se deixar abater. Como disse Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas: “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

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